Tuntum recebeu mais de R$ 173 milhões em emendas desde 2021; reclamações sobre a saúde chegam à Band Maranhão

Mais de R$ 173 milhões em emendas parlamentares foram empenhados para Tuntum entre 2021 e setembro de 2026, segundo levantamento realizado pela Band Maranhão a partir de documentos oficiais da execução orçamentária federal.
Os números chamam atenção pelo tamanho dos recursos destinados ao município.
Em 2021, foram R$ 25,4 milhões empenhados. Em 2022, outros R$ 20,3 milhões. Em 2023, o valor chegou a R$ 30,6 milhões. Em 2024, foram R$ 44,4 milhões. Em 2025, mais R$ 37,4 milhões. E, somente em 2026, considerando os dados acumulados até 9 de setembro, já aparecem R$ 15,2 milhões empenhados.
É importante deixar claro: nem todo esse dinheiro foi destinado à saúde. Os documentos reúnem emendas para diferentes finalidades.

Mas quando a Band Maranhão mergulhou nos relatórios, encontrou uma informação que merece atenção: milhões de reais foram destinados especificamente ao Fundo Municipal de Saúde de Tuntum, incluindo dinheiro para atenção primária, assistência hospitalar e ambulatorial, estruturação da rede e aquisição de equipamentos.
E é justamente aí que começam as perguntas.
Apesar do volume de recursos públicos, reclamações sobre a saúde de Tuntum vêm chegando à redação da Band Maranhão. São relatos que estão sendo apurados individualmente e que fizeram a reportagem iniciar um levantamento mais amplo sobre a estrutura oferecida à população e a aplicação do dinheiro público.
A pergunta é simples: os milhões que chegaram à saúde de Tuntum se transformaram em atendimento e estrutura para quem precisa?
Os documentos mostram, por exemplo, que em 2022 uma emenda registrou R$ 4,267 milhões destinados à assistência hospitalar e ambulatorial.
Em 2024, aparecem outros R$ 3 milhões para assistência hospitalar e ambulatorial, além de recursos para atenção primária.
Ainda em 2024, outro trecho do relatório registra lançamentos de R$ 600 mil, R$ 4,1 milhões e R$ 969,6 mil ao Fundo Municipal de Saúde relacionados à assistência hospitalar e ambulatorial.
Em 2025, os repasses milionários continuam. Há registros destinados à atenção primária, assistência hospitalar, estruturação de unidades e aquisição de equipamentos. Em uma das emendas aparecem mais de R$ 4,1 milhões destinados ao Fundo Municipal de Saúde.
Dinheiro destinado existe e está documentado. O que a Band Maranhão quer descobrir agora é o que foi feito com esses recursos e qual estrutura foi efetivamente entregue à população.
E, no meio dessa apuração, um caso em especial expõe a gravidade das reclamações que chegam à reportagem.
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Ana Cecília Silva Santos tinha apenas 11 anos.
Segundo sua família, a menina chegou ao atendimento público em Tuntum apresentando um quadro grave. Os familiares afirmam que não houve estrutura para uma investigação médica mais aprofundada e que a criança acabou sendo levada para atendimento em Presidente Dutra.
De acordo com o relato da família, após ser examinada por um neurocirurgião, teria sido determinada a transferência urgente para São Luís, onde Ana Cecília receberia atendimento especializado.
A família afirma que solicitou ao município uma ambulância com equipamentos e equipe adequados para transportar uma paciente em estado grave.
Mas denuncia que isso não aconteceu.
Segundo os familiares, Ana Cecília teria sido transportada em uma ambulância sem médico e sem o suporte que a família considerava necessário diante da gravidade de seu quadro.
Durante o trajeto para São Luís, a menina passou mal.
Ana Cecília morreu na estrada, antes de conseguir chegar ao atendimento especializado na capital.
Agora, a família está revoltada e disposta a falar publicamente com a Band Maranhão. Os familiares querem contar em detalhes o que aconteceu desde o primeiro atendimento até a transferência que terminou com a morte da criança.
A Band Maranhão vai buscar prontuários, registros da regulação e da transferência, informações sobre a ambulância utilizada, sua estrutura e a identificação dos profissionais responsáveis pelo transporte.
Os documentos das emendas, por si só, não demonstram desvio ou irregularidade na aplicação dos recursos. Mas, diante do volume de dinheiro destinado à saúde e das denúncias recebidas pela reportagem, há perguntas que precisam ser respondidas.

Quanto Tuntum efetivamente recebeu para a saúde? Onde esse dinheiro foi aplicado? Que equipamentos foram comprados? Quantas ambulâncias equipadas existem? E qual estrutura estava disponível no momento em que uma criança de 11 anos precisava chegar viva a São Luís?
A Prefeitura de Tuntum e a Secretaria Municipal de Saúde serão procuradas pela Band Maranhão para esclarecer a aplicação dos recursos e apresentar sua versão sobre as circunstâncias envolvendo o atendimento e a transferência de Ana Cecília.
A Band Maranhão continuará investigando.
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