Uma decisão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão revelou detalhes de um esquema de corrupção que, segundo o Ministério Público, se instalou de forma estruturada na Prefeitura e na Câmara Municipal de Turilândia, a 157 km de São Luís. A investigação aponta o desvio de mais de R$ 56 milhões de recursos públicos, principalmente das áreas da Saúde e da Assistência Social, entre 2021 e 2025.
As apurações resultaram na deflagração da Operação Tântalo II, na última segunda-feira (22), que levou à prisão preventiva do prefeito Paulo Curió (União Brasil) e da vice-prefeita Tânia Mendes. A ação é um desdobramento da Operação Tântalo, realizada em fevereiro deste ano pelo GAECO.
Além dos gestores municipais, empresários, servidores, um secretário municipal e 10 vereadores são investigados por integrar o esquema. Cinco parlamentares ainda são considerados foragidos: Gilmar Carlos, Savio Araújo, Mizael Soares, Inailce Nogueira e Ribinha Sampaio, todos ligados ao União Brasil ou ao PRD.
Segundo o MP-MA, o grupo atuava de forma hierarquizada, com divisão clara de tarefas. O prefeito Paulo Curió é apontado como líder da organização e principal beneficiário dos valores desviados, atuando como ordenador de despesas, direcionador de licitações e responsável por pagamentos sem comprovação de serviços. O esquema funcionava, de acordo com a investigação, por meio da “venda de notas fiscais”, com empresas emitindo documentos sem prestação real e devolvendo os valores ao núcleo político.
A vice-prefeita Tânia Mendes aparece como integrante do núcleo empresarial e operacional, ligada a empresas usadas no esquema e à movimentação dos recursos. Já a ex-vice-prefeita Janaína Lima é apontada como peça central no controle empresarial, especialmente do Posto Turi, empresa que mais recebeu recursos do município. Segundo os autos, ela e o marido, Marlon Zerrão, firmaram acordo para reter 10% dos contratos, enquanto o restante era repassado ao prefeito ou a indicados por ele.
A investigação também aponta o envolvimento direto da Câmara Municipal, com vereadores recebendo pagamentos periódicos em troca de apoio político e omissão fiscalizatória. O principal operador financeiro do esquema seria Wandson Jonath Barros, descrito como “braço direito” do prefeito, responsável por gerenciar os desvios, criar empresas de fachada e distribuir propinas.
Paulo Curió e Tânia Mendes foram encaminhados para a Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís. Os vereadores tiveram as prisões convertidas em domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica. Segundo o promotor do GAECO, Fernando Berniz, a medida buscou evitar a paralisação administrativa do município, já que o presidente da Câmara deve assumir a Prefeitura.
