Justiça intervém no impasse do Orçamento de São Luís, mantém reajuste de professores e dá 4 dias para Câmara votar PLOA

Uma decisão do plantão do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (TJMA) determinou medidas urgentes para destravar a crise entre a Prefeitura e a Câmara Municipal de São Luís em torno da votação do Orçamento 2026.

A desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim concedeu efeito suspensivo parcial ao recurso apresentado pela Câmara, mantendo pontos considerados essenciais para o funcionamento da cidade, mas retirando medidas que interferiam diretamente na autonomia do Legislativo.

A disputa judicial começou após o Município alegar que, há mais de cinco meses, os projetos da Lei Orçamentária Anual (PLOA) e do Plano Plurianual (PPA) não foram votados pelos vereadores, o que estaria causando risco de paralisação de serviços públicos.

Sem orçamento aprovado, a gestão municipal vinha operando apenas no regime de “duodécimos”, modelo provisório que limita gastos mensais.

 O que a Justiça decidiu

A magistrada adotou uma solução intermediária, preservando serviços essenciais e, ao mesmo tempo, evitando interferência excessiva no funcionamento da Câmara.

 Ficam mantidos:

Implantação imediata do reajuste salarial dos professores, com pagamento já na folha de fevereiro

Validade dos créditos suplementares já abertos pela Prefeitura

Obrigação de votar o PLOA 2026 e o PPA

Prazo máximo de 4 dias para a Câmara deliberar sobre o orçamento

 Foram suspensos:

A ordem que travava toda a pauta da Câmara, impedindo votação de outros projetos

Segundo a desembargadora, essa medida violava o princípio da separação dos poderes.

Multa reduzida:

De R$ 10 mil → R$ 5 mil por dia ao presidente da Câmara em caso de descumprimento da obrigação de pautar o orçamento

Nova restrição:

A Prefeitura fica proibida de criar novas despesas ou abrir novos créditos até que o orçamento seja aprovado

Impactos apontados pela Prefeitura

Nos autos, o Município argumentou que a falta de orçamento já provoca efeitos diretos:

risco de atraso na folha de pagamento de servidores

impossibilidade de executar obras do Novo PAC

paralisação de projetos de saúde

dificuldade para manter serviços essenciais

Entendimento da Justiça

Na decisão, a magistrada destacou que:

> o Judiciário não pode substituir o Legislativo na organização interna de sua pauta, mas deve agir para evitar prejuízos à população.

Ou seja, a Câmara mantém sua autonomia política, mas não pode deixar o orçamento parado indefinidamente.

Próximos passos

Com a decisão, a expectativa é que o Orçamento 2026 seja votado nos próximos dias. Caso o prazo não seja cumprido, a multa diária poderá ser aplicada ao presidente da Casa.

O impasse agora pressiona Executivo e Legislativo a buscarem um acordo rápido para evitar novos prejuízos administrativos e financeiros à capital.

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