O policial militar Romildo Leobino, de 46 anos, apresentou os primeiros sinais de melhora após passar por um procedimento experimental com a substância polilaminina no Hospital do Servidor, em São Luís. A aplicação foi realizada na última quarta-feira (11), 28 dias após o trauma sofrido pelo PM, e menos de uma semana depois já foram observadas evoluções clínicas.
Romildo é o primeiro paciente do Maranhão a receber o tratamento, que busca estimular a regeneração de neurônios e reconectar estruturas lesionadas da medula espinhal. Baleado no pescoço durante uma operação contra o tráfico de drogas em Bom Jardim, a 275 km da capital, ele foi socorrido inicialmente no município e transferido de helicóptero para São Luís devido à gravidade do ferimento.
Em vídeo divulgado nas redes sociais pelo filho, Vinicius Henrique, o policial relatou avanços. “Após a aplicação da polilaminina já consigo até fazer força em uma das mãos… nas duas mãos. Não tô ainda conseguindo fechar, mas consigo apertar a mão das pessoas. Tô muito grato. A respiração melhorou significativamente”, afirmou.
Segundo familiares e equipe médica, nas primeiras 24 horas após o procedimento já foram observados sinais como contração muscular nas mãos e pernas, retirada da sonda urinária e melhora no controle de tronco. O boletim médico também aponta evolução respiratória e ganho de força muscular. O paciente segue internado sob monitoramento contínuo.
Como o protocolo oficial do estudo clínico recomenda a aplicação da substância em até 72 horas após o trauma, e esse prazo já havia sido ultrapassado, a família recorreu à Justiça. A liminar foi solicitada no dia 3 de fevereiro e concedida no dia 5, autorizando o procedimento, que também contou com aval da Comissão de Avaliação de Procedimentos do hospital.
A polilaminina vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é resultado de pesquisas lideradas pela bióloga Tatiana Sampaio. A substância é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e que auxilia na conexão entre neurônios. Produzida a partir de proteínas extraídas da placenta humana, a polilaminina forma uma rede que tende a se tornar mais escassa no organismo ao longo da vida.
Estudos anteriores aplicaram a substância em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos. Seis apresentaram recuperação de movimentos, incluindo um paciente que voltou a andar sozinho após estar paralisado do ombro para baixo.
Agora, a técnica deixa o ambiente exclusivamente acadêmico e entra na primeira fase de testes para aprovação de um novo medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nesta etapa, cinco pacientes com lesão completa da medula espinhal receberão uma única aplicação até 48 horas após o trauma e serão acompanhados por seis meses para avaliação da segurança. Caso não sejam registradas reações adversas graves, o estudo avançará para as fases 2 e 3, quando serão analisadas a eficácia e as doses adequadas.
Apesar dos resultados promissores, especialistas ressaltam que o caminho até que a polilaminina possa ser disponibilizada nos hospitais e no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda depende da conclusão de todas as etapas regulatórias e da comprovação científica de sua eficácia e segurança.





