A apresentadora do Band Cidade MA, Estephany Almeida, entrevistou com exclusividade o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição, alvo recente de uma operação da Polícia Federal determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A investigação foi aberta após publicações do blog do jornalista sobre o ministro do STF Flávio Dino.

Durante a entrevista, Luís Pablo contestou a acusação de perseguição e afirmou que sua atuação se limitou ao exercício da atividade jornalística.
“Infelizmente, o meu direito como jornalista de investigar fatos de interesse público virou crime de stalking, crime de perseguição”, declarou.
Segundo o jornalista, agentes da Polícia Federal chegaram à residência dele nas primeiras horas da manhã para cumprir mandado de busca e apreensão.
“Na terça-feira, às 6 horas da manhã, recebi a visita da Polícia Federal na minha casa. Eles apreenderam dois celulares, um MacBook e um HD externo”, afirmou.
De acordo com a investigação, as medidas foram autorizadas após a divulgação de reportagens que mencionavam o uso de um veículo oficial vinculado ao Judiciário maranhense em deslocamentos do ministro Flávio Dino no estado.
O jornalista afirma que buscou informações por canais institucionais antes de publicar o material.
“Eu jamais persegui o ex-governador do Maranhão. Não mandei mensagem para o celular dele, não o abordei em lugar nenhum. Pelo contrário, encaminhei e-mails para os canais institucionais do STF e do Tribunal de Justiça pedindo esclarecimentos. Como não obtive resposta, publiquei a reportagem.”
Debate sobre liberdade de imprensa
Durante a entrevista ao Band Cidade MA, Luís Pablo afirmou que o episódio ultrapassa sua situação individual e pode ter impacto sobre o exercício da atividade jornalística no país.
“Isso serve de alerta para toda a imprensa brasileira. É uma situação muito grave. Eu me senti censurado.”
O jornalista também comentou a relação entre o poder político e a imprensa no Maranhão ao longo da trajetória pública de Flávio Dino.
“O governo do ministro Flávio Dino foi marcado por perseguição, principalmente em relação à imprensa. Muitos comunicadores tinham receio de fazer críticas às ações do governo.”

Equipamentos apreendidos
A apreensão de equipamentos eletrônicos também afetou diretamente a rotina profissional do jornalista.
Segundo Luís Pablo, os aparelhos recolhidos pelas autoridades constituem os principais instrumentos utilizados no trabalho de apuração e publicação de reportagens.
“Até agora estou sem trabalhar porque estou sem meus mecanismos de trabalho.”
Investigação
A investigação teve início após manifestação do ministro Flávio Dino, que apontou possível monitoramento irregular relacionado à sua segurança institucional em São Luís. O procedimento chegou inicialmente ao gabinete do ministro Cristiano Zanin, também do STF, e posteriormente foi redistribuído ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela decisão que autorizou as medidas de busca e apreensão.
Em nota pública, o Supremo Tribunal Federal informou que o objetivo da apuração consiste em verificar a divulgação de dados considerados sensíveis, como placas de veículos utilizados pela equipe de segurança e detalhes de deslocamentos do ministro.
O caso ganhou repercussão nacional e abriu debate sobre os limites entre investigações relacionadas à segurança de autoridades e as garantias constitucionais que protegem a liberdade de imprensa e o direito à informação.

O episódio também reacendeu discussões entre profissionais da comunicação e juristas sobre os limites entre a proteção institucional de autoridades e o exercício do jornalismo investigativo. Especialistas apontam que a apuração de fatos de interesse público constitui uma das bases do trabalho da imprensa e que eventuais conflitos entre segurança institucional e liberdade de informação exigem análise cuidadosa das autoridades responsáveis pela investigação.






