A paralisação de parte do sistema de transporte coletivo provocou transtornos para passageiros na manhã desta sexta-feira (13) em São Luís. Ônibus do sistema urbano permaneceram nas garagens, o que dificultou o deslocamento de trabalhadores e estudantes em diversos pontos da capital.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema), o movimento ocorre por causa do atraso no pagamento do reajuste salarial da categoria. Até o momento, não há previsão para a normalização do serviço.
Em uma das empresas que integram o sistema, cerca de 300 funcionários deixaram de trabalhar. Nas primeiras horas da manhã, os pátios amanheceram com veículos estacionados e nenhum coletivo saiu para circular.
Na entrada de uma das garagens, uma placa anunciava vagas para motoristas, mas rodoviários afirmam que o principal impasse envolve o não pagamento do reajuste salarial definido em acordo anterior.
Segundo o sindicato, cerca de 4,5 mil a 5 mil trabalhadores atuam atualmente no sistema de transporte público da Grande São Luís.
Sistema semiurbano segue em operação
O sistema semiurbano, responsável pelo transporte entre São Luís e os municípios de São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar, manteve as operações. No entanto, os veículos não acessaram o Terminal da Cohab, situação registrada em paralisações anteriores.
Em pronunciamento nas redes sociais, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, afirmou que a paralisação tem motivação política.
Segundo o gestor, a Prefeitura mantém os repasses financeiros ao sistema em dia e não há atraso no pagamento do subsídio destinado às empresas.
“São Luís amanheceu hoje, mais uma vez sem transporte público por conta de uma greve dos empresários de ônibus. Não há atraso no pagamento do subsídio por parte da Prefeitura”, afirmou.
Braide também declarou que o movimento ocorre em meio ao cenário político estadual.
“Se antes tinha apenas a ganância dos empresários por mais dinheiro, hoje fica claro que também existe uma motivação política por trás da greve”, disse.
O prefeito informou ainda que a Prefeitura acionou uma empresa de transporte por aplicativo para disponibilizar vouchers de corrida pela plataforma 99 a usuários cadastrados, como alternativa para reduzir os impactos da paralisação.
Investigação do Ministério Público
A paralisação ocorre enquanto o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) conduz um inquérito civil para apurar falhas na prestação do serviço de transporte coletivo em São Luís.
A investigação analisa paralisações recorrentes, problemas estruturais e possíveis irregularidades na gestão e operação do sistema.
Entre os investigados estão o Município de São Luís, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET), os consórcios Central, Via SL e Upaon-Açu, além da empresa Viação Primor Ltda.
Como providência inicial, o Ministério Público solicitou à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e ao SET documentos com informações sobre linhas, itinerários, consórcios, concessionárias e frota de veículos. O órgão também requisitou planilhas de custos do transporte, valores de subsídios pagos entre 2021 e 2026, número de novos ônibus incorporados ao sistema e medidas adotadas pela Prefeitura para corrigir falhas no serviço.
Histórico de paralisações
O transporte coletivo de São Luís registra paralisações frequentes nos últimos anos. A última greve do sistema urbano durou oito dias e terminou após reunião entre representantes do Ministério Público, empresários e a Prefeitura, com garantia de pagamento dos salários atrasados.
Levantamentos apontam que, nos últimos seis anos, a capital enfrentou pelo menos dez paralisações do transporte público, motivadas principalmente por impasses salariais e conflitos entre empresas e rodoviários.
Em 2022, São Luís registrou a greve mais longa do período. A paralisação durou 43 dias e afetou milhares de passageiros que dependem do transporte coletivo diariamente.








