Três semanas após ser agredida, uma empregada doméstica de 19 anos ainda enfrenta os impactos físicos e emocionais da violência sofrida no município de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. Grávida de cinco meses, a jovem afirma ter sido espancada pela empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos após ser acusada de roubar joias.

Segundo o relato da vítima, as agressões ocorreram no dia 17 de abril, dentro da casa onde trabalhava, e incluíram puxões de cabelo, socos e murros. Durante o ataque, ela tentou proteger a barriga para evitar ferimentos no bebê. “Foram tapas, socos e murros sem parar”, afirmou.

Após mais de uma hora de buscas, a joia que motivou as acusações foi encontrada no cesto de roupa suja da residência. Mesmo assim, as agressões continuaram. No dia seguinte, a jovem registrou boletim de ocorrência e realizou exame de corpo de delito, que confirmou as lesões.

A Polícia Civil do Maranhão investiga o caso, que está sob responsabilidade da 21ª Delegacia do Araçagy. Áudios atribuídos à suspeita, nos quais ela descreve as agressões e afirma que a vítima “não era para ter saído viva”, foram anexados ao inquérito como prova.

De acordo com as investigações, um homem armado também teria participado da abordagem e das agressões. Ele ainda não foi identificado.

Em sua defesa, Carolina Sthela nega as acusações e afirma que os fatos foram distorcidos. O marido dela também contesta a autenticidade dos áudios divulgados.

A polícia informou ainda que a empresária possui outros processos na Justiça. Em um caso de 2024, ela foi condenada por calúnia após acusar falsamente uma ex-funcionária de roubo, com pena convertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de indenização.

A Ordem dos Advogados do Brasil, por meio da Comissão de Direitos Humanos, acompanha o caso e prepara um relatório sobre o histórico de denúncias envolvendo a suspeita.