Investigador da Polícia Civil condenado a mais de 17 anos segue recebendo salário no Maranhão

Condenado a 17 anos, 3 meses e 27 dias de prisão por crimes de roubo e extorsão, o investigador da Polícia Civil do Maranhão Kassamio Leal Paraíba ainda não cumpre pena e continua recebendo salários do Estado. A sentença foi proferida em setembro de 2025 pela 1ª Vara Criminal de Timon, assinada pelo juiz Rogério Monteles da Costa, que também determinou a perda definitiva do cargo público.

Apesar da condenação em regime inicialmente fechado, Kassamio recorreu da decisão em segunda instância, onde o processo ainda aguarda julgamento. Embora afastado das funções, ele segue oficialmente vinculado à Polícia Civil e recebe remuneração mensal. Dados do Portal da Transparência do Governo do Maranhão mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o investigador afastado recebeu salários brutos que variaram de R$ 8.705,65 a R$ 9.802,48.

A condenação tem como base crimes cometidos em 31 de março de 2020. De acordo com a sentença, Kassamio e comparsas se passaram por policiais civis, invadiram a residência de um comerciante, fizeram a família refém e realizaram roubos em três locais distintos. Após as ações, o grupo ainda exigiu R$ 50 mil da vítima, sob ameaça de morte. O juiz destacou a existência de um conjunto “robusto e coeso” de provas, incluindo depoimentos das vítimas, confissões de corréus, laudos periciais, imagens de câmeras de segurança e dados obtidos por quebra de sigilo telefônico.

As investigações apontaram que Kassamio conduzia o veículo usado no crime, um Renault Sandero, e que o celular dele esteve nos locais das ações e no ponto combinado para a entrega do dinheiro da extorsão. Para o magistrado, o investigador utilizou a condição de policial civil e insígnias da corporação para dar aparência de legalidade às ações criminosas e intimidar as vítimas, o que motivou a decretação da perda do cargo.

Além dessa condenação, Kassamio responde a outros processos por crimes como receptação e homicídio, também em Timon, ainda sem decisão definitiva. Ele é irmão do atual delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko Leal Paraíba.

No mesmo processo, um corréu identificado como Jhonildo foi condenado a 15 anos, 9 meses e 17 dias de prisão, também em regime fechado. Já Marcos Wanderson Venâncio Mendes, apontado como integrante do grupo, teve a punibilidade extinta em razão de morte durante o andamento da ação penal.

A defesa de Kassamio pediu absolvição, alegando irregularidades nas provas, fragilidade dos dados de localização do celular, ausência de reconhecimento formal pelas vítimas, coação em confissão de corréu e a existência de álibi. Todos os argumentos foram rejeitados pelo juiz, que afirmou não haver indícios de adulteração das provas e destacou a existência de uma cadeia consistente de evidências técnicas e materiais que comprovaram a participação do investigador como líder do grupo criminoso.

 

Fonte: G1

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