O policial militar Michael Bruno Lopes Santos se apresentou à polícia nesta quinta-feira (7), após ter a prisão preventiva decretada por suspeita de envolvimento nas agressões contra uma empregada doméstica grávida de cinco meses, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. Em depoimento à Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Maranhão, o PM negou ter participado das agressões.

Segundo a Polícia Civil, Michael Bruno é apontado pela vítima como o homem que teria ajudado a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos nas agressões e torturas praticadas no dia 17 de abril, dentro da residência onde a jovem trabalhava.

No depoimento, o policial afirmou conhecer Carolina há cerca de seis anos e relatou que esteve na casa do casal para entregar documentos relacionados ao aumento de score de um cliente. A Corregedoria da PM abriu procedimento interno para apurar a participação do militar no caso.

A defesa de Michael Bruno informou, por meio de nota, que ele nega qualquer ato de violência e que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação.

Também nesta quinta-feira (7), a empresária Carolina Sthela foi presa em Teresina, no Piauí. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, ela tentava fugir. A defesa da empresária afirmou que ela estava no estado vizinho acompanhada do filho de seis anos e negou tentativa de fuga.

A investigação é conduzida pela 21ª Delegacia do Araçagy. A vítima, de 19 anos, afirmou ter sido agredida após ser acusada de roubar um anel da ex-patroa. Segundo o depoimento, mesmo após a joia ser encontrada em um cesto de roupas sujas, as agressões continuaram.

A jovem relatou ter sofrido puxões de cabelo, socos, tapas e ameaças de morte. Grávida de cinco meses, disse que tentou proteger a barriga durante os ataques. Ela também afirmou que trabalhava cerca de dez horas por dia, acumulando funções domésticas e recebendo R$ 750 por pouco mais de duas semanas de serviço.

Áudios anexados ao inquérito reforçam as acusações. Em uma das gravações, Carolina relata as agressões e afirma que a vítima “não era para ter saído viva”. A empresária também menciona a participação de um homem armado nas agressões.

Após a repercussão do caso, quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados das funções. Segundo a Polícia Civil, a medida foi tomada após a divulgação de áudios nos quais a empresária afirma que não foi levada à delegacia por conhecer um dos policiais que atenderam o caso.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) classificou o episódio como possível caso de tortura agravada, além de lesão corporal, ameaça e calúnia. A polícia informou ainda que Carolina Sthela responde a mais de dez processos judiciais, incluindo uma condenação por calúnia em 2024, após acusar falsamente uma ex-babá de furto.