A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa na manhã desta quinta-feira (7), em Teresina, suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica grávida de cinco meses, de 19 anos, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.

A prisão preventiva foi decretada pela Justiça do Maranhão após pedido da Polícia Civil. A informação foi confirmada pela defesa da investigada e pelo governador do Maranhão, Carlos Brandão. Segundo a advogada Nathaly Moraes, Carolina irá responder às acusações e cumprir as medidas judiciais determinadas.

O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, após a jovem registrar boletim de ocorrência relatando agressões físicas, ameaças e tortura depois de ter sido acusada de roubar joias da ex-patroa.

Em depoimento, a vítima afirmou que sofreu puxões de cabelo, socos, murros e foi derrubada no chão enquanto tentava proteger a barriga durante as agressões. Segundo ela, os ataques continuaram mesmo após um anel supostamente desaparecido ser encontrado em um cesto de roupas sujas.

A jovem relatou ainda que foi ameaçada de morte caso denunciasse o caso à polícia. Ela também afirmou que um homem, ainda não identificado, participou das agressões. Em áudios anexados ao inquérito, atribuídos à empresária, Carolina relata as agressões e afirma que a vítima “não era para ter saído viva”.

A Ordem dos Advogados do Brasil classificou o caso como tortura agravada, além de lesão corporal, ameaça e calúnia.

Segundo a vítima, ela trabalhou pouco mais de duas semanas na residência da empresária, cumprindo jornadas de quase 10 horas diárias e acumulando funções domésticas e cuidados com uma criança. Pelo período, teria recebido R$ 750, pagos de forma fracionada por contas de terceiros.

A Polícia Civil informou ainda que quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados após a divulgação de áudios nos quais a empresária afirma não ter sido conduzida à delegacia por conhecer um dos agentes.

De acordo com a polícia, Carolina Sthela responde a mais de dez processos judiciais. Em um deles, em 2024, ela foi condenada por calúnia após acusar falsamente uma ex-babá de roubo.

Em nota, a empresária afirmou que colabora com as investigações, repudiou qualquer forma de violência e pediu que não haja “julgamento antecipado” enquanto o caso segue em apuração.